Caminhar pelo Largo da Ordem em uma manhã de domingo é mergulhar em um ritual que define a alma curitibana. Enquanto a neblina característica da capital ainda se dissipa entre os casarões históricos, o som dos expositores montando suas barracas dita o ritmo do que está por vir. Para quem visita Curitiba, o turismo de compras vai muito além dos corredores climatizados dos shoppings; ele acontece na troca de olhares com o artesão, no toque de um tecido feito em tear manual ou na descoberta de uma peça de design que carrega a geometria urbana da cidade. Lembro-me de um casal de viajantes que acompanhei recentemente. Eles buscavam algo que não fosse “souvenir de aeroporto”. Começamos pelo Centro Histórico. Ali, entre o calçamento de pedras irregulares, a Feira do Largo da Ordem se revela um labirinto de criatividade. Não é apenas sobre comprar; é sobre entender a influência polonesa nas pinturas em madeira ou a herança ucraniana nas pêssankas delicadamente decoradas.
Eles ficaram fascinados com as luminárias feitas de materiais reaproveitados, um reflexo direto da consciência ecológica que Curitiba respira há décadas. Onde o design encontra a história Se o Largo é o coração pulsante do artesanato, o entorno do Museu Oscar Niemeyer (o MON) é o epicentro do design contemporâneo. A loja do museu é parada obrigatória para quem valoriza a estética. Ali, o “olho” de Niemeyer inspira objetos de decoração, joias de artistas locais e papelaria de luxo que traduzem o urbanismo da cidade em linhas minimalistas. Mas a verdadeira “caça ao tesouro” acontece nos pequenos ateliês espalhados por bairros como o Batel e o Bigorrilho. É o design autoral curitibano ganhando vida em cerâmicas de queima de alta temperatura ou em mobiliário de madeira certificada. Em um desses roteiros personalizados que montamos, levamos os visitantes para conhecer uma designer de joias que utiliza sementes de araucária fundidas em prata. É uma forma de levar um pedaço da nossa floresta de araucárias para casa, transformado em arte. O sabor como mercadoria: A descida para o litoral O turismo de compras em nossa região também tem um forte componente sensorial e gastronômico.
Quando cruzamos a Serra do Mar no passeio de trem em direção a Morretes, o foco muda. O “produto local” ganha sabor de infância e aroma de fogão a lenha. Ao desembarcar na estação ferroviária, o visitante é recebido pelo perfume das balas de banana artesanais — um clássico da região de Antonina e Morretes. Nas prateleiras das pequenas mercearias coloniais, encontramos: Farinha de Mandioca de Morretes: Finíssima e artesanal, essencial para o barreado perfeito. Cachaças Premiadas: Envelhecidas em madeiras nobres, muitas vezes em alambiques que operam há gerações. Artesanato em vime e barro: Peças rústicas que contam a história da subsistência no litoral paranaense. Uma dica técnica que sempre dou aos meus clientes: o clima em Curitiba é instável, mas isso influencia diretamente o que você compra. Em dias frios, as malharias locais oferecem peças de lã com uma qualidade que raramente se encontra em grandes redes. Já no litoral, o foco deve ser a produção orgânica e os derivados do gengibre, que floresce com vigor no solo úmido da serra.